Resenha: Fragmentados – Neal Shusterman

resenha fragmentados
Autor: Neal Shusterman
Título Original: Unwind
Editora: Editora Novo Conceito
Nota: 5

Sinopse: Em uma sociedade em que os jovens rejeitados são destinados a terem seus corpos reduzidos a pedaços, três fugitivos lutam contra o sistema que os fragmentaria. Unidos pelo acaso e pelo desespero, esses improváveis companheiros fazem uma alucinante viagem pelo país, conscientes de que suas vidas estão em jogo. Se conseguirem sobreviver até completarem 18 anos, estarão salvos. No entanto, quando cada parte de seus corpos desde as mãos até o coração é caçada por um mundo ensandecido, 18 anos parece muito, muito longe. O vencedor do Boston GLobe-Horn Book Award Neal Shusterman desafia as ideias dos leitores sobre a vida: não apenas sobre onde ela começa e termina, mas sobre o que realmente significa estar vivo.

Atributo Nota
Capa 5
Enredo 5
Escrita 5
Personagens 5
Final 5
Classificação geral 5

Resenha: Fragmentados é um desses livros dos quais você não consegue sair a mesma pessoa depois de “entrar” nele, foi uma leitura muito impactante para mim, que acabou levantando vários questionamentos, principalmente, porque me lembrou muito a discussão sobre a maioridade penal e as consequências disso, e esse não é o único assunto no qual você consegue fazer um paralelo durante a leitura, muita coisa passou pela minha cabeça. A escrita de Neal é envolvente e perturbadora, se você quer um livro para te arrancar da zona de conforto, fragmentados é o livro certo.

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Em fragmentados, após uma guerra conhecida por Guerra de Heartland, entre grupos de pró-vida e pró-escolha, é decidido pela Lei da Vida, onde ninguém pode abortar um bebê, porém, se de 13 a 18 anos os pais acharem que essa criança, por qualquer motivo, não os satisfaz, os pais podem dar a ordem de Fragmentar. Outra alternativa é a “cegonha” onde se você deixar o bebê na porta de alguém logo que ele nascer, a pessoa que encontrá-lo se torna responsável por ele, liberando a mãe da responsabilidade, desde que ela não seja pega no ato.

Fragmentar: Enviar um jovem de idade miníma de 13 anos e máxima de 18 anos para um campo de colheita, onde todas as partes de seu corpo serão extraídas para uso de outra pessoa no futuro. 

E durante toda a narrativa eu fiquei pensando “que absurdo!” mas, depois principalmente, durante essa semana que eu vi TANTAS mais TANTAS publicações que me deixaram desacreditada no mundo, percebi que esse livro não tem nada de absurdo, que na verdade, Neal, jogou na nossa cara de forma nua e crua o que temos vivenciado sem perceber. Parece absurdo, mas é muito real.

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Dentro do enredo possuímos 3 personagens principais: Connor, Risa e Levi, cada um deles nos leva a uma perspectiva diferente. Connor acha que está tudo bem em sua família, ele tirou notas baixas e tem alguns problemas de comportamento, porém, jamais poderia imaginar que sua família que tanto parece amá-lo seria capaz de mandá-lo para fragmentação… até encontrar, sem querer, o horrível formulário da ordem de fragmentação em seu nome. Risa foi abandonada quando ainda era um bebê e acabou numa cada estatal. A casa estatal está lotada de crianças abandonadas e não pode se dar ao luxo de abrigar por mais tempo uma garota que não se mostrou excepcional em nada, Risa é só um custo a menos para o governo. Levi nasceu numa família amorosa e devota, ele vai ser fragmentado porque é o dizimo, sabe aquela tradição na Igreja de doar 10% da sua renda para quem mais precisa? Pós Lei da Vida, as igrejas continuam possui o dízimo, mas ele é ofertado com a vida.

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Durante todo o livro percebemos como a idéia de “cada um cuida do seu rabo e dane-se o próximo” é vista a todo momento, basicamente, todos só fazem o mínimo do mínimo para manter a consciência limpa e dormir bem a noite. E sabe aquela velha história, se está na lei é porque deve estar certo? Isso é bem seguido a risca. Eu não tenho como entregar nada para vocês de spoiler porque eu nem seria capaz, o livro impacta cada um de uma forma, pessoas que eu conversei e leram, cada uma processou o livro de uma forma, mas volta a dizer, Fragmentados é um livro para te fazer se questionar, pensar e até se revoltar. Não é uma leitura tranquila, não é uma leitura confortável e muito menos feliz, mas afirmo que é uma leitura necessária! Todo mundo deveria ler e se sentir perturbado pelos conceitos que Neal apresenta!

Para sua tranquilidade e paz de espírito, há uma variedade de campos de colheita a escolher. Cada instituição é de propriedade privada, licenciada pelo Estado e financiada federalmente pelo dinheiro dos seus impostos. Independentemente do local que você escolha, pode estar seguro de que o seu fragmentário receberá os melhores cuidados possíveis de nossa equipe credenciada enquanto faz a transição para o estado dividido. – Do Manual de Fragmentação Para os Pais 

Confesso, que não fui pega pelo livro nos primeiros capítulos, mas insisti na leitura e não me arrependi, tanto que esse livro está recebendo um belo 5, que não é fácil de sair dessa leitora aqui. A revisão do texto está ótima, gostei da capa e da diagramação, não tenho do que reclamar!

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